segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Poemas

Palavras



As palavras do amor expiram como os versos,

Com que adoço a amargura e embalo o pensamento:

Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos,

Vidas que não têm vida, existências que invento;



Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos

De pó, que o sopro espalha ao torvelim do vento,

Raios de sol, no oceano entre as águas imersos

-As palavras da fé vivem num só momento...



Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,

O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina,

E as do aleive, em baldões, e as da mofa, em risadas,



Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito:

Ficam no coração, numa inércia assassina,

Imóveis e imortais, como pedras geladas.



Um Beijo






Foste o beijo melhor da minha vida,

Ou talvez o pior...

Glória e tormento,

Contigo à luz subi do firmamento,

Contigo fui pela infernal descida!



Morreste, e o meu desejo não te olvida:

Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,

E do teu gosto amargo me alimento,

E rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,

Batismo e extrema-unção, naquele instante

Por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto,

Beijo divino! e anseio, delirante,

Na perpétua saudade de um minuto...

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